1907
Eu não canso de ver as notícias sobre o vôo 1907.
Ainda estou muito abalada. Chorei muito.
Revivi uma dor indizível.
Estou começando este blog hoje, e acho que deveria falar sobre minha linda amiga F.
Eu tenho maravilhosas e grandes amigas, amigas-pra-vida-toda, tipo K, L, P...
Mas F é um capítulo à parte na minha história.
Vamos lá.
..................
Conheci F em razão do trabalho. Nós duas trabalhávamos na mesma instituição federal e nos conhecemos por acaso.
Nos conhecemos, realmente, por acaso, mas bastou um contato inicial para que logo reconhecêssemos uma amizade real, sincera e verdadeira, várias coincidências de vida, um amor comum, um ideal justo.
..................
F era uma pessoa iluminada. Em todos os sentidos. Chegava em um lugar e logo era a atenção de todos os olhares. Cativava qualquer pessoa. A sua presença bastava. Era boa, em todos os sentidos que esse vocábulo possa exprimir.
..................
F era paulista, morou um tempo no Pará, depois mudou-se para Brasília, onde tive a oportunidade de conhecê-la pessoalmente, e resolveu ir pra Amazônia, fazer o bem.
F queria muito ter filhos e estava decidida. Se não conseguisse um pai decente em tempo razoável, iria adotar. No Pará, chegou a engravidar, mas sofreu um aborto espontâneo.
Em Brasília vivemos dias e noites incríveis, sempre com W, amigo queridíssimo e parceiro de todas as horas. Escudeiro fiel.
Planejamos muito viajar juntas, um cruzeiro e todas as suas possibilidades.
Chegamos a marcar uma viagem juntas (trabalho/lazer), mas tive problemas com uma obra em casa e tive que desistir. Quanto arrependimento!
..................
Poucos meses depois da mudança, tive a a chance de me inscrever para ir a um seminário em Belém, onde eu sabia que provavelmente teria a chance de rever a minha amiga. Fui sorteada e fiquei super feliz! Viajaria no domingo. Queria fazer surpresa, mas na sexta-feira resolvi avisá-la de que iríamos nos encontrar. Não consegui falar com ela. No sábado, saí com K e D, fizemos compras para a viagem e falei muito da minha alegria porque iria rever F, lembrei de histórias.
Ao chegar em casa, liguei a televisão no Jornal Nacional, coisa que não tenho o hábito de fazer. Um avião caíra na Amazônia. Eu caí no sofá chorando e gritando: F morreu, F morreu...
Eu simplesmente sabia.
Então mencionaram o nome dela entre os passageiros.
Entrei em parafuso. Liguei para diversas pessoas, até que consegui falar com W. Sim, ela estava no vôo.
..................
Minha amiga se foi. Eu não pude me despedir. Eu não pude sequer dar adeus.
..................
Hoje, ainda me pego lembrando, relendo as mensagens trocadas, querendo compartilhar uma coisa que aconteceu...
Saudades, qué-rida. Vou te amar pra sempre.
Ainda estou muito abalada. Chorei muito.
Revivi uma dor indizível.
Estou começando este blog hoje, e acho que deveria falar sobre minha linda amiga F.
Eu tenho maravilhosas e grandes amigas, amigas-pra-vida-toda, tipo K, L, P...
Mas F é um capítulo à parte na minha história.
Vamos lá.
..................
Conheci F em razão do trabalho. Nós duas trabalhávamos na mesma instituição federal e nos conhecemos por acaso.
Nos conhecemos, realmente, por acaso, mas bastou um contato inicial para que logo reconhecêssemos uma amizade real, sincera e verdadeira, várias coincidências de vida, um amor comum, um ideal justo.
..................
F era uma pessoa iluminada. Em todos os sentidos. Chegava em um lugar e logo era a atenção de todos os olhares. Cativava qualquer pessoa. A sua presença bastava. Era boa, em todos os sentidos que esse vocábulo possa exprimir.
..................
F era paulista, morou um tempo no Pará, depois mudou-se para Brasília, onde tive a oportunidade de conhecê-la pessoalmente, e resolveu ir pra Amazônia, fazer o bem.
F queria muito ter filhos e estava decidida. Se não conseguisse um pai decente em tempo razoável, iria adotar. No Pará, chegou a engravidar, mas sofreu um aborto espontâneo.
Em Brasília vivemos dias e noites incríveis, sempre com W, amigo queridíssimo e parceiro de todas as horas. Escudeiro fiel.
Planejamos muito viajar juntas, um cruzeiro e todas as suas possibilidades.
Chegamos a marcar uma viagem juntas (trabalho/lazer), mas tive problemas com uma obra em casa e tive que desistir. Quanto arrependimento!
..................
Poucos meses depois da mudança, tive a a chance de me inscrever para ir a um seminário em Belém, onde eu sabia que provavelmente teria a chance de rever a minha amiga. Fui sorteada e fiquei super feliz! Viajaria no domingo. Queria fazer surpresa, mas na sexta-feira resolvi avisá-la de que iríamos nos encontrar. Não consegui falar com ela. No sábado, saí com K e D, fizemos compras para a viagem e falei muito da minha alegria porque iria rever F, lembrei de histórias.
Ao chegar em casa, liguei a televisão no Jornal Nacional, coisa que não tenho o hábito de fazer. Um avião caíra na Amazônia. Eu caí no sofá chorando e gritando: F morreu, F morreu...
Eu simplesmente sabia.
Então mencionaram o nome dela entre os passageiros.
Entrei em parafuso. Liguei para diversas pessoas, até que consegui falar com W. Sim, ela estava no vôo.
..................
Minha amiga se foi. Eu não pude me despedir. Eu não pude sequer dar adeus.
..................
Hoje, ainda me pego lembrando, relendo as mensagens trocadas, querendo compartilhar uma coisa que aconteceu...
Saudades, qué-rida. Vou te amar pra sempre.

5 Comments:
Nossa. Realmente muito chocante. Não tenho palavras.
Me impressionou muito verem entre os destroços do avião um livro intitulado "Vou viver a minha própria vida". Fico imaginando os sonhos, projetos e desejos abortados. Completamente espedaçados de uma hora pra outra. Sem a menor explicação.
Penso o q deve ser morrer desse jeito. Aliás, quero nem pensar. Morte é sempre ruim, mas já pensou o q é ter a exata noção q tudo vai se despedaçar dentro de 2, 3 minutos?
O mundo é muito, muito estranho.
Sorry: "despedaçados"
Perdi um novo post sobre o 1905 que havia escrito. Coisas de principiante. Vou tentar reescrever de novo depois.
Mão boba. 1907.
Também conheço uma pessoa que estava no vôo 1907. Malditos americanos arrogantes. Tudo o que eu quero para eles é que sejam julgados, condenados e deportados imediatamente, pois eu nõa quero nem saber desses caras mais tempo em solo brasileiro. Que vão para o inferno. Causaram o acidente por pura arrogância.
Bj.
Postar um comentário
<< Home