Semana passada o mundo perdeu uma grande mulher: guerreira, lutadora, vitoriosa.
Órfã, mas com muitas irmãs, a doença sempre foi uma sombra em suas vidas. Apareceu há muito tempo atrás, mas foi embora.
Uma das irmãs pesquisava sobre tudo, todas as alternativas, espada de Dâmocles sobre elas. Ouviu falar dos perigos da reposição hormonal e fez a nossa personagem, E., jurar que acontecesse o que acontecesse, jamais o faria.
Há aproximadamente 6 anos, E. recebe o diagnóstico: a doença chegou à mama. A irmã diligente a acompanha ao médico, que pergunta: - Você já fez reposição hormonal? A irmã responde: - Claro que não, ela não é louca. O médico repete a pergunta, a irmã é grosseira: - Pode passar para a próxima pergunta, doutor, eu já disse que ela não é louca. O médico é incisivo: - Vou perguntar pela terceira vez e quero que a paciente responda. A resposta: - Sim.
Prognóstico de vida: 6 meses. Ela transformou 6 meses em 6 anos, com uma inesgotável vontade de viver, prazer pela vida, contentamento. Nunca se deixou abater por qualquer tratamento ou cirurgia (foram vários), usava peruca se necessário e era muito feliz ao lado dos filhos e do marido.
Este ano, começou a sentir dores relativas a outro órgão. Os médicos foram taxativos: melhor não operar, havia elevado risco de metástase. Ela: não quero nem saber, não tenho medo da morte, só não quero sofrer.
A cirurgia se realizou. E então ela, fisicamente, caiu. Mas fez questão de preparar a família: ensinou a filha a administrar a casa, disse aos filhos que tinha certeza que tinha cumprido sua missão como mãe e que eles hoje, já encaminhados na vida, ficariam bem. Só se preocupava com o marido, e fez os filhos jurarem que não o deixariam nunca desamparado.
Apesar de não termos contato constante (até pelo fato de morarmos em Estados distantes), posso dizer que senti muito a perda, e encerro com uma historinha engraçada, como acho que seria do seu agrado.
E. era muito bonita e vaidosa. Além disso, era adepta do time de tia A., que jamais revelaria a idade, nem sob tortura. Estávamos em uma tradicional reunião anual de família, às vésperas do Natal. Eu e Prima P. conversávamos animadas, ao que chega E. e, não sei bem por quê, o papo descamba para a idade. Prima P. recém tinha completado 30 anos, e eu completaria tal idade em poucos meses.
Quando soube do novo estágio em nossas idades, nossa personagem, E., ficou nos olhando, estarrecida, como se elaborasse em sua mente, preocupada: - Nossa, se as duas caçulinhas da família já estão com 30 anos, eu vou ter que atualizar a minha idade!
Nota da redação: Na realidade, nunca me preocupei em saber a idade dela. Mas eu e Irmã número 2 desenvolvemos interessante teoria segundo a qual só nós envelhecemos, os outros nunca envelhecem (oficialmente). E. era casada com um de meus primos mais velhos, que atualmente ostenta o status de idoso legal, e seguramente havia uma boa diferença de idade entre eles. Eu quase fui dama de honra no casamento deles, para vocês terem uma idéia. Mas ainda assim fiquei chocada ao saber que ela tinha meros 10 anos a mais que eu, ou seja, faleceu aos 46 anos de idade.
12/08
Por uma questão de justiça, não é porque a diretora do brogue esteve ausente que não se deve registrar o aniversário das pessoas mais queridas do planeta!!Sim, registro aqui: 12/08 foi o aniversário de Vênus, amiga mais que especial, ainda que tenha dado baixa do Rio e pedido asilo depois da poça d'água... (segundo biografia não autorizada, a mudança se deu com o objetivo de esconder o seu passado, mas não se sabe se isso é verdade, nem se ela conseguiria atingir tal objetivo com uma simples mudança RJ-NKT).Múltiplas comemorações: no sábado, almoço de meninas em Nikity. Imaginem almoço de meninas. Só posso revelar que envolve mar, sol, catamarã, disco voador, vento, massa, cogumelos e alguns camarões. E, não, não estivemos no MAC.Domingo, bolo (e carpaccio, e torta, e empadas) na casa de mãe L. A mais variada fauna e flora.Beijos e parabéns, amiga!! Milhares de felicidades para você, hoje e sempre!!Marcadores: data de fundação
Da série "diálogos insólitos"...
Mãe e filha no carro. Entram em um túnel. Filha comenta:
- Devia ter sinal dentro do túnel.
Mãe, perplexa, tentando imaginar o objetivo de um sinal de trânsito no meio de um túnel:
- Com que finalidade, minha filha?
E a filha, rindo, responde:
- É sinal de rádio, mãe!Marcadores: diálogos insólitos