Calor, calor, calor (26)
Hoje lagarteei na pilleta do hotel. Sol, sol, sol. Pilleta, pilleta, pilleta. E assim por diante.
Em uma das vezes que estava na piscina, vejo uma criatura do sexo masculino estirada em uma das cadeiras, tomando sol. Traje: bermudas brancas e... meias brancas!!! O mundo eh mesmo muito estranho...
Por falar nisso, o caso das joias nicaraguenses: no ultimo dia, foram encontradas nos locais mais improvaveis, uma em cada lugar, a pulseira atras dos moveis que ja haviam sido revistados, os brincos debaixo da cama onde ja se tinha olhado, o colar dentro de um saquinho de compras, etc. Por falar nisso, a uruguaia tinha perdido os oculos, e os encontrou dentro de uma gaveta, onde nunca os tinha colocado. Quer dizer, pessoal, isso foi mais ou menos o que eu entendi que aconteceu...
Outra boa: no dia da chiva, a salvadorenha perdeu a chave do cofre (pre-historico, por sinal, eh um cadeado imenso que quando vc abre o cofre tem que tirar a mao correndo senao eh esmagada). Informaram na recepcao que ela teria que pagar 100 dolares por uma nova chave. 100 dolares!!! Ela estava arrasada, disse que nao tinha dinheiro e estavamos quase organizando um teleton (para quem nao sabe, no Brasil eh – ou era - o crianca esperanca do Silvio Santos, e pelo jeito deve ter tambem no resto da America Latina) para arrecadar dinheiro, enquanto ela falava com o servico de camareiras e com o pessoal da chiva e do hotel para saber se haviam encontrado alguma chave. Nada. No dia seguinte, surpresa! A chave estava na barra da calca com que ela tinha ido para a chiva (nesse caso, acho que foi sorte mesmo, dado o grau etilico do dia anterior). Depois disso, todas nos brincamos dizendo que temos que cuidar mais das chaves do que de qualquer outra coisa. Podem levar tudo, mas nos deixem as chaves.
Bem, sobre as Islas... Mamae ensinou voce a ser gentil e educada com as pessoas, nao ensinou? E voce aprendeu direitinho, nao eh mesmo? Pois eh... Voce, muito prevenida, vai para o passeio levando agua, protetor, canga, saida de banho, etc. A colega nao leva nada. Na hora do almoco, a colega nao tem o que vestir, exceto a roupa inadequada com que fora. Voce, que estava de canga, oferece a mesma para a colega, pois trouxe outra coisa pra vestir. Na hora em que a colega ve a saida de banho (um camisao amarelo basiquinho e super gostoso), pede para usa-la, repete mil vezes que eh maravilhosa, pergunta algumas vezes se eu nao a venderia, e sugere vaaarias vezes que eu a regale de presente. Podem dizer que sou egoista, mas me defendo: se fosse a canga, sem problemas. Facil de encontrar, baratinha, ok. Mas a minha saida de banho preferida??? Nananina.
Bem, voltando a hoje, pra encerrar com chave de ouro. Nao contente com todo o sol e os banhos de piscina, final da tarde fui ao mar. E como se nao bastassem os vendedores e as mulheres oferecendo massages, quase tive o meu momento cicarelli do dia. Uma pena, pois era um guapito muy lindo, mas... protectless e com transmissao ao vivo para centenas de pessoas... nao rola. Lastimas.
Ahora vou arrumar a mala, guardar as coisas... Manana, me voy. Hasta luego, amigos! Depois de 12 hueras de vuelo (17:40 de segunda a 8:45 de terca, mais 3 horas de fuso horario), regressarei ao Rio.
Islas del Rosario - 25
Hoje, finalmente, posso dizer que conheci o legitimo e verdadeiro mar caribenho.
E paro por aqui.
Hoje nao vou dizer que o mundo eh muito estranho. O mundo es muy exquisito...
Que dia eh hoje mesmo?
Ah, sim, hoje eh jueves, ultimo dia de trabalho, ufa! A previsao eh de que a sessao termine mais cedo, e a tarde vamos a um city tour, provavelmente com nosso querido guia Gualter (ou coisa que o valha). Esqueci de falar da gracinha do guia no passeio anterior, perguntando se havia algum brasileiro no bus (todos gritaram que sim, moi) e ele fala que entao nao poderia falar da buseta, se a buseta era limpa, hermosa e que tais.
Estavamos eu e mais duas no intervalo falando com a agente de viagens, tentando marcar um passeio para amanha para a Isla del Rosario, mas como o mar tem andado muito bravio (a inundacao pela cidade continua...) nao se sabe se o barco saira ou nao. Uma das minhas colegas avisa que vai retornar ao hotel, junto com a nicaraguense, que teve furtado, dentro do hotel (cinco estrelas...) um conjunto de joias de familia, para prestar queixa. A agente de viagens diz que o bus do city tour saira do centro de formacao as 14:30, mas passara rapidamente pelo hotel, de sorte que se elas nao regressassem para o almoco poderiam pegar o bus no hotel, mas ela nao recomendava que perdessem o almoco, pois o prato de hoje seria paella.
A sessao terminou antes do tempo, nos levaram para um tour pelo centro de formacao, que eh um antigo convento inteiramente reformado e modernizado, e fomos almocar. Cade a paella?? Nem sinal, amigos.
Depois do almoco, fui a sala de internet para resolver um assunto pendente com minha filha. Acabei me demorando mais que deveria, mas desci correndo as 14:30 para pegar o bus. Cade o bus? Me informaram que deveria pega-lo no mesmo lugar dos dias anteriores (como perto do centro so tem ruelas minusculas, onibus nao entram, e temos que andar umas duas quadras, sempre perseguidos por pelo menos uma ou duas dezenas de vendedores de colares, artesania, gravuras, camisas, etc). Ok. Chegando la, o bus tradicional do hotel, mas nenhuma figura conhecida. Tentei explicar a situacao mas nem o condutor nem o ajudante se compadeceram. Finalmente aparece o Sr. Jose Luiz (uma figuraca, faz-tudo, nos recebe e nos despede, cambia la plata, vende CDs de fotos e ainda carrega a minha maleta do laptop) e me explica que o bus do city tour estara me esperando no hotel.
O onibus so partiu as 15 h, pero o bus do city tour, felizmente, ainda nao havia saido. Pedi que me esperassem e vim correndo deixar o material no quarto. Voltei para o saguao, ainda estavam la, e ai me dei conta que ainda estava de sapato alto, objeto evidentemente incompativel com um city tour. Corri de volta para pegar as havaianas. So que, mal comecamos o passeio (por volta das 16h), recomecou a chover (alo, alo, Kat, que nao me deixou trazer os tenis!!!).
Nao estou, agora, em condicoes de lembrar os nomes dos lugares que visitamos – todos belissimos. Mas posso afirmar com certeza que fomos a uma fortificacao, se bem me lembro, do seculo XV, e subimos, e andamos, e entramos em tuneis - se estivesse de salto alto, nao sei o que seria de mim. Ainda assim, a minha rodilla esquerda duele mucho hasta ahora (alo, alo, Kat, que nao me deixou trazer os tenis!!!).
Volvemos ao mesmo centro de artesania em que estivemos na terca, e seria sorteado algo com uma esmeralda. Anotem o numero da sorte, chicas e chicos: 12!!! Quem ganhou? Euzinha mesmo!!! Fiquei entre 2 e 12, disse 2 da primeira vez, ninguem acertou, recomecou a rodada, fui direto no 12 e acertei! Na realidade, eh um pingentinho banhado em ouro 18k e com uma pequena esmeraldita, mas valeu muito!!!
Volvemos ao hotel quase as 20h, e tentamos (eu e a panamenha) acompanhar a peruana nas compras. Mas, como voces sabem, tudo esta alagado, eu e a panamenha estavamos de chinelos (eu de havaianas, ela de similar), e nao conseguimos sequer atravessar a rua (alo, alo, Kat, que nao me deixou trazer os tenis!!!).
No hotel, esperamos na piscina pela peruana para cenar, e logo chegaram Chile, Cuba, Republica Dominicana, Uruguai, Nicaragua... E passam Mexico, Costa Rica, Paraguai, Panama, e outros mais. Tinha um show caribenho: primeiro um sujeito que tentava manejar bastoes com fogo, e sempre os deixava cair, depois um grupo de musica local com dancarinos muito bons, que cambiavam as roupas e deram um otimo espetaculo.
Restaram Brasil, El Salvador, Peru, Uruguai, Nicaragua, Chile e Republica Dominicana. Quatro chicas e dois chicos. Uma colombiana nos recomenda o Cafe del Mar. La nos vamos. O lugar eh surreal. Fica nas muralhas, uma vista lindissima, decoracao moderna-com-toques-locais (tipo canhoes), toca techno e tem duas dancarinas em trajes que nao sei se conseguirei definir a contento: top franjado prateado e calca cintura baixa de malha toda com recortes.
Yo estava cansada e com dor na rodilla, as outras tambem nao quiseram demorar muito, e voltamos cedo – a excecao da unica casada do grupo, que se declarou enamorada de um chileno de outro seminario que fez o city tour com a gente, e que tambem estava la. Nao sei o que aconteceu, mas espero encontra-la amanha cedo para saber.
Estas sao as noticias mais importantes do dia. Voltaremos a qualquer hora em sessao extraordinaria.
PS – Soh regresso lunes, chegando a la manana de martes (ou o correspondente a terca-feira) ao Rio.Marcadores: Cartagena
Ms. K
Hoje (23/11) eh a data de fundacao da minha melhor amiga, Kat.Nao preciso dizer nada, miguita, voce sabe o quanto eres especial en mi vida (e yo estoy morrendo de sono). Tentei te ligar hoje, mas a tarjeta no llama telefonos mobiles...Desejo-te todas as felicidades do mundo, muita saude e paz, amor, sucesso, harmonia, muito dinheiro no bolso, tranquilidade, viagens, muchachos... Enfim, todos os nossos brindes juntas, juntos!!! Me aguarde para comemorarmos juntas semana que vem!!!Marcadores: data de fundação
Hoje eh 23
23
Por razoes obvias, estou morrendo de sono hoje. E as palestras nao estao ajudando muito a me manter acordada.
zzzzzz
E hoje a noite tem um jantar de confraternizacao fora do hotel.
Nao sei se aguentarei...
***
Bem, como os brasileiros nao desistem nunca e eu sou uma brasileira mais do que nunca, tinha que passar por essa. Voltamos do centro as 18, e teriamos que estar as 19:30 na porta do hotel para um jantar de confraternizacao no Club de Pesca. Traje informal, eis que tal lugar ficaria na beira da praia.
Me arrumei, coloquei meu vestidinho vermelho, e as 19:30 chego ao saguao do hotel, onde sou recebida com exclamacoes de Maarrrcia!! Mira!! Que rica! Que preciosa! (para quem esta com varios quilos acima do peso, voces podem imaginar como soaram dulces os elogios, que na verdade deveriam se dirigir a mi busto, pois o tal vestidinho tem um belo decote)
Acontece que esqueci a maquina fotografica, e nao poderia sair sem ela. Como o bus nao havia chegado ainda, avisei duas colegas que iria voltar ao quarto rapidinho para pega-la, e disseram que avisariam ao condutor para me esperar. Fui em um pe e voltei no outro, mas quando cheguei ao saguao nao havia mais ninguem. Sai do hotel para procura-los, e nada, perguntei ao bellboy, nada. Ai me aparece o panamenho, que foi destacado pelo resto do mundo para buscar-me. O bus estava parado, sob protestos do condutor, a minha espera. Todos se recusaram a sair antes que chegasse Brasil. Entramos no bus sob aplausos. Mas eu perdi a melhor parte da minha viagem: todos no bus gritando: Brasil! Brasil! Brasil!
O restaurante fica num lugar belissimo, a beira do mar (e nao da playa). A primeira musica tocada e cantada foi Garota de Ipanema. Brasil-il-il!!!
Amanha, ultimo dia de trabalho. A sessao deve acabar as 14 horas, e entao iremos a um city tour. Nao sei se conseguirei ir a la Isla del Rosario, pois, segundo soube hoje, o mar esta muy revolto, e nao se autorizam viagens de barco com esse tempo. Estou torcendo para que o tempo melhore.Marcadores: Cartagena
Miercoles
Novo dia de sol, mas, como so fui dormir as 2 da manha, obviamente nao acordei as 6 para ir a praia. Minhas companheiras de noite tambem nao foram.
O mar caribenho, presumo, teve alguns problemas durante a noite: a avenida beira-mar (uma rua de ida, outra de volta) estava completamente alagada por causa da ressaca. Varias outras ruas, a uma distancia consideravel do mar (tipo Delfim Moreira – Ataulfo de Paiva) tambem apresentavam grandes concentracoes de alagamento. Quase pedimos um barco para chegar ao centro de estudos.
O ritmo de trabalho eh massacrante. Cansativo, mas interessante. O mais engracado eh constatar que, por mais que possamos reclamar do atraso do Brasil, o nosso pais esta muito a frente dos hermanos latinoamericanos.
Tento falar com minha filha. Compro uma tarjeta, telefono, mas ela nao esta em casa. Mais tarde, chegando ao hotel, tento ligar de um telefone publico. Nao funciona. Na recepcao me informam que posso ligar do quarto. Na habitacion, o telefone tambem nao funciona. Problemas na rede do hotel. Saio por perto do hotel para procurar um telefone publico. O unico disponivel nao aceita a tarjeta que tinha. Andei por pelo menos quatro quadras (enoormes) e simplesmente nao ha telefones publicos por aqui. Da mesma maneira que nao ha lixeiras. Finalmente encontrei um local onde se fazia chamadas, e, com dificuldade, consegui ligar para o Brasil. 900 pesos o minuto. Encerrada a chamada, a chica diz que devo 13.500 pesos. Como assim?? Quanto tempo eu falei? 5 minutos (dos quais muitos perguntava se minha filha ouvia e outros mais pedia que falasse mais alto pois nao ouvia). Ora, se foram 5 minutos, como eu devo 13.500 pesos? Ora, 5 minutos vezes 900 pesos da 13.500 pesos... A matematica eh muito estranha na Colombia...
A noite, fomos a la rumba de chiva!! Em suma, tipo um bus-trenzinho turistico, todo aberto, com musica tipica ao vivo, todos cantando, dancando, e tomando rum com soda. (parentesis: antes de a chiva sair, duas criaturas desceram revoltadas porque o rum nao seria rum, e sim genebra, ou gim – meu estomago diz que nunca saberei o que era aquilo). Paramos em um ponto turistico – as muralhas e no final em uma boate. Voltamos para o hotel meia noite.
Interessante mencionar que, enquanto a chiva esta parada, acorrem dezenas de vendedores de agua e produtos tipicos, especialmente chocalhos para se ir fazendo ainda mais barulho quando a chiva anda. Uma criatura queria porque queria me vender um chocalho a 15.000 pesos. No final, estava me oferecendo dois chocalhos por 5.000 pesos. E fazia fiado para amanha. Se demorasse mais um pouquinho, acredito que ele me pagaria para levar os chocalhos.
Si, no posso esquecer!! Cada fila da chiva recebia, de inicio, uma garrafa de rum, duas de soda, e um balde de gelo. Estavamos, a maioria, na ultima fila, e na penultima tinha uma colega, as duas criaturas que abandonaram a chiva, e outra criatura estranhissima, que concordou com os outros que aquilo nao era rum, mas nao foi embora. Como estavamos apertados na ultima fila, e sobrou espaco na penultima, nos rearranjamos, e o pessoal que ficou na ultima pegou primeiro o gelo da criatura estranha, depois o rum, eu pedi a soda, e por fim a uruguaia pediu as maracas emprestadas...Ainda tentei integra-lo ao nosso grupo, mas o sujeito era tao sisudo que desapareceu no meio do caminho.
Colombia, Cuba, Chile, Uruguai, Peru, El Salvador, Republica Dominicana. Mais nao digo.
Noticias de ayer
Tudo bem. Reconheco que parou de chover. Mas o tempo permaneceu nublado o dia inteiro. Palestras, palestras, palestras, mesa redonda. Ok.
A colega panamenha, Ruby, contratou os servicos de um bus de turismo para irmos ao que eu entendi ser um centro comercial de baixos custos, com produtos nativos. Vamos la. No total, 15 pessoas, cada uma de uma nacionalidade diferente.
No caminho, a constatacao: os onibus sao realmente pequenos porque as ruas sao estreitissimas em certos pontos, e eh uma luta para o motorista fazer uma curva, sempre sobe nas calcadas e em alguns pontos a sensacao eh que ele vai tirar uma casquinha dos predios.
Pelo que entendi o guia explicar – e a essa altura nao acredito mais em muita coisa sobre o mar do Caribe – o mar que banha Cartagena eh o oceano Atlantico, mas eh chamado mar do Caribe, pero nao eh cristalino pois ha muita terra vulcanica aqui.
O guia explicou que ha tres divisoes em Cartagena: la Cartagena antigua, la Cartagena moderna (onde esta o nosso hotel) e la Cartagena popular (onde mora 75% da populacao).
Obviamente, antes de nos levar ao destino, o guia nos levou a uma fabrica de esmeraldas (onde certamente ganha comissao), onde haveria o sorteio de duas esmeraldas, uma para as mulheres, outra para os homens. Ruby ganhou a esmeralda das mulheres, e um homem que nao me lembro o nome ganhou, de primeira, a esmeralda dos homens.
Passamos, rapidamente (20 min) em um centro de cultura artesanal, onde havia de tudo, mas era dificil escolher qualquer coisa pelo pouco tempo disponivel. Incrivel como se havia de regatear mesmo, o produto era oferecido por, v.g., 60.000 pesos, e na mesma hora o vendedor dizia que faria por 45.000 pesos.
Como disse, la foi super rapido, acabei comprando somente uma camisa basica como lembranca de Cartagena, e seguimos para o centro comercial.
O transito, pelo menos naquela hora, era caotico, praticamente nao ha sinais, alguns que existem estao quebrados ou simplesmente marcam amarelo piscante o tempo todo, e os que funcionam nao sao muito respeitados. Em cruzamentos cruciais, na beira do mar, nao ha qualquer sinalizacao.
Demoramos mais de meia hora no transito. Obviamente, devemos ter entrado na Cartagena popular, pois pude ver anuncios de “si muele carne” e “yesolandia – o mundo dos yesos”.
Finalmente chegamos no maior programa indigena – tenho certeza, pelo menos para mim – de toda essa viagem: fomos parar em um shopping. Caraca, eu que fujo de shopping no Rio de Janeiro, vir parar em um shopping em Cartagena, e ainda mais um shopping sem coisas interessantes...........Detalhe: chegamos ao shopping as 20 para as 7, e combinamos de regressar as 20 para as 9. So que as lojas fechavam as 8 horas da noite. Eu estava cansada, com os pes arrasados, e fui logo para o onibus. Creiam ou nao, os outros so chegaram as 20 para as 9.
Regressamos ao hotel, jantamos. Fui entao a recepcao reclamar do problema de ontem (nao contei? Rapidamente: o telefone do quarto nao estava funcionando. Reclamei duas vezes e na seguinte mandaram um tecnico. Quando ele saiu, parou de funcionar tambem o telefone do banheiro, e a internet, e eu perdi os 30 ou 40 minutos que ainda tinha. Ai fui hoje reclamar indenizacao pela internet que nao pude usar, e ganhei outra tarjeta de 60 minutos). Dai passam duas colegas, uma sansalvadorenha e a outra peruana, e perguntam se eu nao quero sair com elas, passear, dar uma voltita...
Como eh que se diz “soh se for agora” em espanhol??
Fomos a um bar aqui perto, e foi otimo, conversamos muito sobre tudo, trocamos experiencias e tais.
No fim da noite, aparece um sujeito pedindo pra sentar na nossa mesa, deixamos, e acabou sendo muito engracado. Exemplo: de onde es? Barranquila. Donde es Barranquila? No conoces? E cantava e dancava: Mira se en Barraquila se baila sin ce!
Continuam com o mesmo proposito de me acordar as 6 da manha para ir para a praia. Sinceramente, para hoje (eis que ja eh muito mais de meia noite), quarta-feira, eu passo. Ainda mais que amanha iremos, a noite, a la chiva!!! Pelo que entendi, eh um bus aberto que passa pelos pontos turisticos da cidade, onde se ha degustacion de licores nacionales (rum???), depois se vai a uma boite e regressa-se a meia noite.
Chuva, chuva, chuva
Ninguem merece. Tive que tirar um terninho que ja estava muito bem guardado no fundo da mala para voltar para casa. Acho que os deuses caribenhos devem ter ficado muito chateados com os meus comentarios sobre o mar, ou o meu bom Deus brasileiro resolveu adotar uma boa estrategia para retirar os pensamentos impuros que me faziam considerar muito seriamente a hipotese de abandonar o trabalho e ir para a praia...Marcadores: Cartagena
Calor, calor, calor
Belo dia de sol, perfeito para aproveitar a praia e o mar caribenho (ainda que generico, como ja deixei registrada minha indignacao)... Mas eh o primeiro dia de trabalho. E eu estou morrendo de calor, pingando de suor.
No trajeto, a confirmacao do que ja havia percebido ontem: os onibus sao todos, alem de pequenos, muito coloridos – vermelhos, azuis, verdes, amarelos. Mas nao sao monocromaticos ou lisos, eles simplesmente sao tomados de grafismos incriveis, numa poluicao visual de dar gosto... Dos taxis, nem falo. Todos amarelos, quadrados, e a maioria de aspecto assustador.
Seminario, jura?? Um monte de palestras para centenas de pessoas? Hahaha...
Fui simplesmente jogada em praticamente uma mesa redonda com nao mais de 30 pessoas de todas as partes do mundo. Beleza.
Acabaram de dispensar para os homens o uso de gravatas. E eu so trouxe terninhos. O que eu faco com minha amiga Kat que tirou a maioria das minhas camisetinhas da minha mala? Bem, vou ter que procurar urgente um lugar para comprar uns vestidinhos basicos por pocos pesos.
Tirei o blaser, logico. Nao aguentava mais. Ao meu lado, uma boliviana pede emprestado o meu blaser, pois esta morrendo de frio. Inacreditavel. Enquanto estavamos na sala com ar condicionado, a boliviana (que estava de blusa e casaco) nao tirou o blaser um minuto. E quando saimos por poucos minutos no sol fervilhante, ela chegou a tirar o casaco por uns instantes, mas logo colocou de volta pois nao aguentava o frio. Juro que nao esta fazendo menos que 30 e tantos graus.
Bom, tenho que pedir desculpas, pelo menos ate segunda ordem, ao mar caribenho. Hoje me explicaram – nao sei se esta correto – que o mar que visitei nao eh o mar caribenho, e sim o oceano Pacifico. Tambem nao sei qual a diferenca, ja que os dois estao tao juntinhos. Mas, de qualquer maneira, tenho que dar um credito ao mar caribenho, e faze-lo uma visita, para entao poder hablar com conviccion de sus qualidades.
Voces conseguem imaginar sete mulheres de sete nacionalidades diferentes saindo juntas para conhecer o comercio local? Nao? Nem eu.
E por hoje eh so pessoal. As mesmas sete mulheres acima (ou pelo menos uma grande parte delas) marcaram de ir a la playa amanha, as 7 da manha. Como elas conseguirao andar durante uma hora, voltar para o hotel, tomar banho, se arrumarem, tomarem o cafe da manha e estarem no saguao para pegar o onibus as 8:30 da manha, nao me perguntem. O mundo continua estranho.
Esquisitices minhas, mesmo...
Nao me perguntem como (isso eh historia para outro post que ainda nao consegui acabar), mas estou na Colombia, mais precisamente em Cartagena das Indias.
Breve relato de viagem:
- o voo saia do Rio as 6 da matina, eu teria que estar no aeroporto as 4, entao nem eh necessario mencionar que nao dormi. Fui para o aeroporto convicta de que soh eu estaria num voo para Sao Paulo as 6 da manha de um domingo, mas qual nao foi a minha surpresa ao descobrir que muitas outras pessoas tiveram a mesma ideia – ou foram obrigadas a isso por circunstancias de trabalho ou familiares. A companhia aerea, porem, parecia concordar comigo, tinha 2 funcionarios atendendo a todos. Resultado: eu, absolutamente sonada, fiquei uma hora em pe na fila esperando ser atendida. Dormi o voo inteiro.
- em Sampa, imagracione basica, fui ao free shop e finalmente comprei um i-pod para compartilhar com a minha filha. Espero sinceramente que ela aprenda a mexer nele, pois se depender de mim estamos fritas.
- tenho uma colega que, quando eu vou viajar, sempre me lembra de olhar para os lados pra ver se nao encontro nada interessante. Nunca da certo. Hoje sentei ao lado de um cara interessante, simpatico, bom papo, mas casado. Fui!
- cheguei a Bogota. De cima, a cidade eh feia, com aspecto sem vida e denotando muita pobreza. O aeroporto, apesar de enorme (voce pega onibus para ir de um setor a outro, e depois anda, anda e anda para chegar ao aviao) eh antigo e decadente. Em compensacao, os guardinhas usam uniformes impecaveis, cheios de galoes e supostas condecoracoes e... calcam luvas brancas!!!
- voo para Cartagena. A companhia aerea acaba de prometer uma acolhida caliente e um porto seguro.
- acaba de chegar o lanche e deu para saber a razao: eh soh isso mesmo que eles vao oferecer durante o voo. Durante o trajeto internacional a comida, embora nao farta, foi boa, no almoco um quiche decente com salada e bebidas leves (refris e sucos), no lanche um sanduiche gostoso e bebidas a la vonte: vinhos finos, uisque 12 anos, vodka absolut. Agora, no trajeto regional (Bogota - Cartagena), as opcoes eram as seguintes: agua, suco de caixinha, café. Nem um refri! E nada para mastigar… (ta, confesso, era so uma horinha de voo...)
- cheguei no hotel quase 4 da tarde, horario local. Bencao: fiquei num quarto enorme, gostoso, com vista para o verde, canto de passarinhos, e o mar ao longe.
- quando eu disse que pretendia ir a praia, o entregador de bagagens do hotel recomendou que eu retirasse brincos, relogio, corrente e deixasse a maquina fotografica no hotel. Bom, onde eh mesmo que eu estou?
- andei umas quadras para ver o que rola aqui por perto. Por ser domingo, a maioria das lojas estava fechada, mas foi interessante notar a pobreza, a quantidade de gente pedindo ou vendendo artesanato nas ruas.
- fui a praia. Meu contato inicial com o mar caribenho, confesso, foi desapontador. So molhei os pes. Sonhei com areias claras e aguas transparentes, mas, ao menos nesta parte caribenha, nada disso: areias escuras, agua assim-assim. Alem disso, milhares de familias, literalmente carregados de farofa e que tais, deixavam toda a sujeira para tras. Interessante a musica, em todo lugar alguem toca algo, e os ritmos sao envolventes.
- do nada, surge uma mulher oferecendo um regalo de uma massagem nos pes, como antecipacao da futura massagem que voce podera fazer em outro dia de sua estada, mas que logo evolui para uma massagem em todas as partes do corpo que estiveram disponiveis, e aih aproveitam para cobrar o servico completo...
- agora toca uma musica tipica no restaurante do hotel. Agradavel. Vou terminar um trabalho, jantar e dormir. Quer dizer, depois de tentar mandar uma mensagem pra minha filha e pras pessoas que me deram forca pra essa viagem dar certo, e postar essas anotacoes aqui...- a internet aqui eh ridiculamente cara. Quando der darei mais noticias. Como se ve, o mundo e muito estranho em qualquer parte do mundo mesmo...
Esquisitices de Pernambuco
A sabia Vanor tem razao e se eu tivesse aceito a aposta, ela teria ganho, no barato, 150 reais:
1 – o hotel, na beira da praia, tinha 3 andares. Na chegada, o rapaz da recepcao informa que nos vamos ficar em um belo quarto com vista para o mar. Bem, sabe aquele pessoal que mora na quadrissima, ve uma nesga de mar e anuncia o apartamento dizendo que tem vista para o mar? Mais ou menos por ai. Na verdade, um pouco pior, pois a vista dava para um estacionamento, e so ao longe podiamos ver um pedaco do mar... So nao foi pior que a minha colega, que ficou no apartamento abaixo do meu, e tinha vista total para o estacionamento. Nos, pelo menos, tinhamos vista area do estacionamento, e um tiquinho de vista de mar.
2 – eu passei miseros tres dias no estado de Pernambuco, e em todos os tres choveu (ainda que de maneira intermitente, e confessando que no terceiro dia deu pra lagartear bem ao sol).
3 – em um evento/festa, para o qual todas as pessoas estavam cientes de que o traje exigido era esporte fino ou coisa que o valha (uia, esporte fino na beira da praia!!), pudemos constatar a presenca de diversas criaturas vestindo longos e voluptuosos vestidos rebordados, bem como outras trajando bermudinha.
aviso
Estou postando de um notebook emprestado, de modo que nao esperem qualquer tipo de acentuacao, nao tenho a menor ideia de como fazer isso.
Comunicados de última hora 1
De amanhã até sábado, estarei cumprindo difícil função no Estado de Pernambuco, mais precisamente na localidade de Porto de Galinhas.Na realidade, irei realizar uma missão secreta: averiguar se o mundo é estranho também por lá.
Palavras Cruzadas
Minha filha fazendo palavras cruzadas, e pedindo ajuda a todo instante:Mãe, animal de carga, com 4 letras (só faltava uma vogal) é mala, mela, mila, mola ou mula?(risos incontroláveis de ambas por um demorado período)
O Vestido
Como todos sabem, em janeiro de 2007 será o casamento da Sobrinha número 3, primeiro evento desse tipo na família. Irmã número 1 esteve viajando pelas Ôropa, e encontrou um vestido perfeito para a cerimônia. Comprou na hora.Aqui chegando, quis me mostrar o achado. Nananina. Tem que vestir para eu poder dar opinião. A contragosto, foi ela colocar o modelito e desfilar na minha frente.Surpresa. Belíssimo. Cor bonita e diferente, tomara-que-caia com suaves bordados, modelo aprovado.Aprovado?? Bem, até o momento em que Irmã número 1 dá uma rodadinha, e pode-se então perceber que o modelo simplesmente não fecha nas costas!! Não por uma ínfima diferença corrigível através de regime de emergência, mas por coisa de um palmo!!! Passando mal de tanto rir, digo eu:- Irmã número 1, você está proibida de ingerir qualquer alimento até a data do casamento!! Não é ficar a pão e água, não, é só a água mesmo!!!Mas Irmã número 1 é brasileira e não desiste nunca, pelo que me explicou, pacientemente, que a vendedora só não consertou o vestido por falta de tempo disponível, mas deu todas as dicas: é só cortar um pedaço da barra do vestido e fazer uma emenda trançada para as costas, no triângulo que falta para o zíper se fechar - e fechar o vestido.Eu posso?
Mama e o oftalmologista
Mama anda, há tempos, preocupadíssima com a visão, mas só recentemente aceitou a sugestão de voltar a procurar um médico de primeira linha que a operou no passado, em Brasília. Mamãe tem glaucoma desde sempre e recentemente foi diagnosticada uma ceratite, com perspectiva de lesão permanente e irrecuperável na córnea.
Consulta na terça-feira. Diagnóstico do médico: ceratite leve, com excelentes perspectivas de melhora, desde que ela cuide melhor da alimentação, para fortalecer o organismo, e tome algumas vitaminas (Redoxon e Arovit!!!).
O conselho médico é comer de tudo: ovos, carne vermelha, folhas verdes, muito ômega 3 (leia-se salmão, nozes, castanhas).
Só que, há muito tempo, ela aboliu tudo isso (e mais um pouco) de sua alimentação. Diz que tudo faz mal, come que nem um passarinho. Não se dá ao luxo de beliscar nada de docinhos, salgadinhos, besteirinhas... É só frango cozido sem sal, arroz e feijão sem sal, legumes cozidos sem sal...
Comentário de Irmã número 2: É fogo, eu aqui louca para emagrecer nem que seja 500 gramas, o médico manda ela comer, e ela não quer obedecer!!!
Diário de viagem
Segunda-feira tive que ir a Brasília, a trabalho. Eu nasci em Brasília e amo Brasília, e me surpreendo a cada vez que volto lá, ao ver como a cidade vem crescendo em todas as direções.
O problema é que, com o horário de verão, eu tinha que acordar às 5 da matina para conseguir chegar a tempo no aeroporto. Não sei como, mas consegui.
Viagem tranquila. Chegando ao aeroporto de Brasília, vi algo impressionante: uma fila de táxi quilométrica!
Dia ouvindo palestras. Muito boas. Chego na casa da Irmã número 1, onde está Mama, que coincidentemente chegou no mesmo dia para se consultar com um oftalmologista antigo na terça, acompanhada da Cunhada Única.
Estava virada, mas, devido às companhias, só fui dormir às 11 da noite.
Coloquei o despertador pras 8 da manhã, pois, embora tivesse mais um ciclo de palestras começando às 9 do dia seguinte, o local era perto do apartamento, daria tempo de chegar lá tranquilamente, e além disso eu precisava dormir.
Às 7 da manhã começa a tocar o despertador da minha irmã. Ela me assegura que são 8 horas, pois ela não alterou o relógio pro horário de verão. Me manda conferir no relógio de parede da cozinha, que com certeza não tinha sido mudado. Marcava 7 horas. Então ela fala pra eu ligar a televisão e ver o que estava passando. E eu lá faço idéia do que passa de manhã cedo na televisão? Bem, na Globo passava um bom-dia-qualquer-coisa. Nada de horário. Zapeei e em algum canal passava um programa - acredito eu - evangélico, com um horariozinho do lado: 07:15. Eu, sonada, e ainda na maior dúvida, já pensava na terrível hipótese de ligar para algum colega de viagem e perguntar que horas eram. Nisso Cunhada Única acorda e vem pra sala. Me tranqüiliza: Pode deixar que eu vou ficar assistindo o bom-dia-qualquer-coisa, e de tempos em tempos eles informam as horas. Daqui a pouco ela grita: 07:23!
A essa altura, sem opção, eu já estava acordada e de nada adiantaria voltar para o quarto e tentar dormir mais meia hora. Fui para o chuveiro.
Outro dia de palestras. Muito boas.
Despedida de Mama. Mas essa já é outra história.
E o meu vôo atrasou a bagatela de quase 2 horas e meia...
Comunicado à nação
Comunico, a quem interessar possa, e especialmente aos queridos familiares, amigos e colegas de trabalho que me aturaram nos últimos dias (e que provavelmente não estão lendo este blog, pois não sabem de sua existência!!), me ouviram pacientemente, me deram apoio, me consolaram nos momentos mais angustiantes, que finalmente, semana passada, mais especificamente no dia 31 de outubro (Dia das Bruxas!!! - coincidência ou não?!), consegui me libertar do caso que estava me consumindo no trabalho, me tirando o sono e me impondo muitos questionamentos a respeito do papel de cada pessoa na sociedade (inclusive e muito especificamente o meu, of course).
Foram dias difíceis... Pressão, dúvidas, angústias... Medo de errar, de fazer alguma besteira... Doía, inclusive fisicamente.
Agora estou livre. Sei que fiz um bom trabalho. E, modéstia à parte, ficou lindinho.