2007-12-24 E Natal, segunda feira, e você, que já havia percebido que os presentes comprados para a distribuição não iriam dar nem para o cheiro, vai a luta, acompanhada do resto da tropa. Corrida contra o relógio. As irmãs, a cunhada e respectivas filhas se dispersam a fim de regularizar a situação, alem de resolver varias outras coisas de ultima hora.
16 horas, tudo pronto e arrumado, brinquedos separados e classificados. Vou a casa de Sr. C. entregar os presentes dos netos dele, previamente separados, e recebo um dos olhares mais meigos e um dos abraços mais gostosos do mundo da netinha dele.
Eu sou conhecida pelos netos dele, modéstia a parte, como a moca bonita que traz presentes no Natal.
Vamos a capela.
1645 esta tudo no esquema, tudo e todos em seus respectivos lugares, previamente determinados.
As filas lá fora estão organizadíssimas e você nem acredita. Irma numero 1 faz a oração de praxe e é dada a largada para a distribuição dos presentes. A fila das meninas, a meu cargo, transcorre, como sempre, sem maiores percalços. Quando termino a fila das meninas e estou resolvendo pendências de ultima hora, a fila dos meninos já se transformou em um pandemônio. Dividiram-se entre a fila das bolas e dos demais brinquedos, ambas incontroláveis. Dou inicio a fila das bolas, enquanto as outras tentam domar a fila dos brinquedos para os meninos. Da-se inicio então a uma verdadeira batalha campal que não da pra descrever pra vocês. Basta dizer que a casa quase foi invadida.
A novena em casa esta marcada para as 18, mas começa depois de 18,30. Anunciei meus projetos para 2008.
Em seguida, propôs-se uma inversão na ordem natural das coisas, e nos arrumarmos logo para ir para a casa de tio J., para so na volta distribuirmos os presentes entre nos. Tal inversão causou protestos em algumas sobrinhas, que diziam que ficariam traumatizadas por muito tempo.
A razão de anteciparmos a ida para a casa de tio J. e que este sofreu um AVC este ano e encontra-se bastante debilitado. Assim, a tradicional festa noite adentro, com cantorias intermináveis, teria que se limitar a uma confraternização mais curta com um jantar básico (o qual, uma vez que foi feito por uma restaurater daqui, excedeu expectativas).
O choque foi encontrar tio J., sempre saudável e alegre, com metade do corpo paralisado, completamente dependente dos outros.
Prima P., ao final, fez belo discurso, substituindo o pai, que emocionou a todos.
Detalhe cômico – estávamos em uma mesa de 7 mulheres, 3 delas morrendo de sede, e planejando pedir água para o garçom bissexto. Planejei pedir 7 copos de água, uma para cada da mesa (mesmo as que não queriam), para cada uma ficar com 2 copos. A Noiva disse que também queria, e dissemos que ela poderia ficar com o copo restante. SN5 dizia para pedir logo para pedir 8 copos, mas eu so pedi 7. SN5 reclamou, e eu dizia que nos so éramos 7 na mesa, não tinha como pedir 8 copos, ao que SN5 retrucava que era so dizer que era para a criança que daqui a pouco iria aparecer... O garçom ficou atônito com tanta água para servir... Voltando a casa, fizemos a distribuicao dos presentes e, tirando uma sandália preta e dourada muito bonita (e muito alta) e um pijamex basico legal (eu e filha ganhamos iguais) acho melhor nem comentar o que eu ganhei.
Ficamos conversando, pensamos em dormir, os condicionadores pifaram de novo, faltou energia de novo, e ai o jeito foi ficar fazendo hora ate os condicionadores voltarem a funcionar novamente.
Sabado a noite, era pra acontecer um jantar do verbo acabou não acontecendo. Mesmo assim, o resto todo da família chegou.
Ficamos em casa – toda a família. Calor insuportável. Sete, sim, 7 condicionadores de ar ligados ao mesmo tempo. A energia não agüenta. Liga-se um condicionador e automaticamente outros dois desligam. Por fim, faltou energia total, parou quase tudo e nem luz tinha
So não pararam de funcionar o condicionador do quarto da matriarca (thanks God) e o ventilador
Quem conseguiu botou um colchão no quarto da matriarca - meu caso - e os outros se acotovelaram no escritório, cujo condicionador voltou a funcionar depois.
Sobrinha número 4, vulgo A Noiva, e o respectivo O Noivo, mais a família deste (mãe, pai, irmã e sobrinhas, irmão e cunhada) estão passando pela cidade, de volta de outra localidade onde ocorreu a festa de formatura de um sobrinho-primo (depende da perspectiva).
Eles param para almoçar em um restaurante da cidade (as más línguas dizem que é o único), onde os encontro com meu Único Irmão.
A irmã d´O Noivo anda com suas duas filhas, de 1 e 2 anos. Ambas são o que popularmente chamamos de “boas bocas”, comem de um tudo e mais um pouco.
A irmã menor faz número 2 e resolvemos levar as meninas para casa, a fim de se limparem, tomarem banho e se refrescarem para seguir viagem.
No curto trajeto, a irmã maior encontra algo amarelo no chão do carro e pergunta
- Mãe, o que é isso A mãe, inocente, responde:
- Minha filha, eu acho que isso e um salgadinho.
Minutos se passam e a menina fala
- Mamae, era um salgadinho mesmo...
A mãe, sem acreditar
_ Filha, você comeu um salgadinho que pegou no chão
- Não se preocupe, mamãe, depois eu boto outro no lugar...
Mama está bem. Decidimos ir para o interior amanhã. Saio para comprar os presentes para as crianças das redondezas, que tradicionalmente distribuímos no Natal.
Peço ajuda a Seu E., que afirma que sabe sim onde é a loja no centro onde são encontrados tais brinquedos, e que inclusive levou Irmã número 1 lá há pouco tempo, e ela ficou muito satisfeita. Quando chegamos na loja, a confusão: Sr. E. me levou para a loja errada. Ele dizia e repetia que minha irmã tinha ficado muito satisfeita lá, e eu retorquia que conhecia muito bem aquela loja, que inclusive tinha uma filial no shopping, que era uma loja caríssima e que não era o que eu estava procurando.
Sr. E. finalmente entendeu o que eu procurava e me levou à loja certa.
Posteriormente, conversando com Irmã número 1, ela me diz que estranhou quando ele a levou lá, afirmando que era a loja em que ele sempre me levava (surtou, o coitado), mas, como estava sem tempo, nem discutiu, entrou e comprou algumas coisas que conseguiu encontrar a preço razoável.
A mãe não está muito bem de saúde. Mas já melhorou bastante. Além disso, teve uma reviravolta surpreendente no item alimentação. Ela, que até então comia como um passarinho, abominava comidas salgadas e recriminava a todos por eventuais excessos de sal, e até mesmo por usos regulares de sal, tornou-se entusiasta do item comida, sem restrições, e especialmente do uso irrestrito do sal na culinária. Come em proporções nunca antes imaginada. Reclama da comida sem sal que – por força da dieta médica imposta – tem que aturar. Mas come tudo. E se aventura por comidas que a dieta médica lhe nega.
No almoço, pede despudoradamente que lhe passem o bife à milanesa.
Combinando o almoço das crianças para o dia seguinte, enquanto as filhas decidem por bifes e ovos mexidos, ela concorda e diz:
- É, e umas empadinhas...
Repreendida por uma das filhas, que pergunta se ela acha que vai poder comer alguma empadinha, é incisiva:
A mãe, 7.6, precisa fazer uma tomografia computadorizada e a filha a acompanha. Em lá chegando, a mocinha diligente começa o questionário: - A senhora usa marcapasso? - Não. - A senhora tem algum pino de metal no corpo? - Não. - A senhora usa maquiagem definitiva? - Não. (risos nervosos da filha) - A senhora tem alguma tatuagem no corpo? - Não. (risos mais ou menos controlados da filha) - A senhora trabalha operando com metais pesados regularmente? - (sorry, mas aí a filha não consegue mais se conter...)
A chapa desesquentou um pouco por aqui, de modos que estou de volta ao blog, para alegria geral da nação. E estou aqui, rumo à casa de Mama. Caos aéreo? Filas? Confusões? Caras, eu gastei menos de um minuto entre fila e encerramento de check in, sem contar que, apesar de ter direito a levar 23 kg, despachei mais de 30 kg sem problemas (é, rapaziada, vocês acham que só a companheira R. tem direito a ter problemas de excesso de bagagem?)
No avião, o comandante anuncia que há um temporal na Capital e por isso ele reduziria a velocidade para dar tempo de as condições climáticas melhorarem e ter possibilidade de pouso.
Beleza. E você nem tem uma conexão pra pegar.
Servem aquele sanduichão básico, massudo e entupidor, e, na hora do refri, turbulência! Sit, aeromoças, sit! Você fica basicamente entalada com o sanduíche.
Quando você está tentando se conformar em perder a conexão e passar a noite na Capital, o Comandante informa que, na realidade, a tempestade não é bem na Capital e sim em uma área próxima, de modo que ele já acelerou e vamos chegar no horário.
Puxa! Que bom viajar com um Comandante tão bem informado, hein! Reconfortante! Me senti, assim, super segura.
Capital. A conexão está atrasada. Um pouco. Ou muito, ninguém sabe informar direito. Com uma hora de atraso, entramos no avião. Mas não decolamos. Temos que esperar passageiros de outra conexão.
Parênteses: a vaca da atendente da companhia, apesar de eu ter reservado janela nos dois vôos, me colocou no corredor no primeiro trecho (mas tudo bem, fui ao lado de um casal simpático) e no MEIO no segundo trecho. E eu não percebi na hora, só depois de entrar na sala de embarque. Maldito atendimento relâmpago.
Segundo trecho do vôo e, como disse, um assento no meio me espera. Na saída de emergência, menos mal. Tudo bem que o meu companheiro da janela tomou banho de piscina com azzaro antes de embarcar, fica tirando fotos do celular dele mesmo e não queria guardar a sacola (de plástico) no compartimento superior porque não podia quebrar os uísques dele – and asked the flight attendant for “durex” pra fechar a sacola. Mas o companheiro do corredor, além de ter mais de 60 anos (sem preconceitos, pessoal, mas, lembrem, estamos na saída de emergência!), stinks!
Poderia ser pior: na outra janela de emergência, está sentado um velhinho de, por baixo, uns 75 ou 80 anos de idade, ao lado de sua companheira de faixa etária correspondente. Reclamei com a comissária (ela perguntou por que eu estava preocupada com o velhinho, se por acaso eu era parente dele!) e ele foi finalmente reposicionado – para o corredor! God, protect us.
No final das contas, aproximadamente 2 horas de atraso. Só que eu esqueci meu relógio. Sacola. Acho que são 2 horas de atraso, mas nem tenho mais certeza. Tenho que ficar acompanhando quanto tempo falta pra chegar pela telinha. E fazendo cálculos. Se lá vai ser 23:35 quando da chegada e se faltam 58 minutos de vôo, que horas são, afinal? E isso é horário de verão ou não?
No final das contas, salvaram-se todos e cheguei bem. O comandante, pra variar, anunciou 30 graus na terrinha. Rá rá rá. Me engana que eu gosto.